Centro Israelita | Lag Baomer e uma curiosidade intrigante
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Lag Baomer e uma curiosidade intrigante

Lag Baomer e uma curiosidade intrigante

Chegar ao 33º dia da contagem do Omer significa chegar a Lag Baomer, um dos momentos mais festivos do calendário judaico. Pois gostaríamos de compartilhar com você um texto da Revista Morashá (Edição 91 – Abril de 2016) que relata uma curiosidade um tanto quanto intrigante a respeito desta data.

Nos textos judaicos, Lag Baomer é chamado de “Dia da Hilulá” de Rabi Shimon bar Yochai. A palavra “Hilulá” é aramaica e significa festa ou festa de casamento. Em geral, quando uma fonte judaica menciona a Hilulá de Rabi Shimon, está-se referindo à celebração feita em sua homenagem quando ele se casou, em sua juventude. Mas quando um livro sagrado judaico ensina que Lag BaOmer é o “Dia da Hilulá de Rabi Shimon bar Yochai”, não quer dizer que esse dia era o de seu casamento, mas a data de sua morte. A mesma palavra, Hilulá, usada para se referir ao casamento de Rabi Shimon também é usada para o seu passamento deste para o outro mundo.

A associação do termo Hilulá com o dia da morte de alguém é intrigante. Afinal, ao longo das gerações, a data do falecimento de uma pessoa era guardada pela família e filhos como um dia triste – um dia de reflexão e expiação. Muitas pessoas costumavam jejuar na data de falecimento de seus pais e mestres. Contudo, ao longo do tempo, a associação do termo “Hilulá” com a data de falecimento de Rabi Shimon se tornou tão aceita que a data de falecimento de outras pessoas também passou a ser designada pelo termo “Hilulá”.

Como é possível que o mesmo termo usado para o casamento de uma pessoa – que se supõe ser um dos dias mais felizes de sua vida – possa ser usado para se referir a seu passamento deste mundo? Pode-se encontrar uma explicação em um dos discursos do Rabi Shneur Zalman de Liadi, autor do Tanya. O Baal HaTanya explica que o principal tema de um casamento é a alegria da noiva e do noivo, que advém da união de dois indivíduos que foram destinados um ao outro ainda antes de terem nascido, mas que estiveram separados durante muitos anos. Antes que suas almas viessem a este mundo, eles se conheciam e tinham um relacionamento, que foi cortado após seu nascimento. Pois, como nasceram de pais diferentes, que talvez até vivessem em países diferentes, em muitos casos levou décadas até que essas almas voltassem a se encontrar. A grande alegria de sua reunião, após anos de separação, de saudade e nostalgia, é a fonte do júbilo de um casamento.

De modo semelhante, quando uma alma desce a este mundo, ela se separa de todas as almas que estavam juntas a ela no Jardim do Éden.

Enquanto ela permanecer neste mundo, essas almas sentem sua falta. Quando ela deixa este mundo e retorna a seu lar original, Gan Eden, essas almas celebram e se rejubilam com essa reunião. O júbilo por essa volta e essa reunião nos Céus é tão grande que supera a tristeza das pessoas em nosso mundo quando de seu falecimento. As pessoas que aqui ficam devem tentar – por mais difícil que seja – vencer sua tristeza e entender que a alma que deixou este mundo está feliz de ter chegado a um lugar mais feliz. Um texto antigo recorda um elogio fúnebre da época talmúdica: “Chore pelos enlutados, mas não por quem parte; pois ele partiu para o descanso, e nós, para o lamento”.

Rabi Shimon bar Yochai pediu que as pessoas não chorassem sua partida, mas se rejubilassem pela subida de sua alma. Por esse motivo, a data de sua morte – Lag BaOmer – é chamada de sua “Hilulá”. Seu falecimento foi um tipo de casamento: quando ele deixou este mundo, ele se reuniu com as almas que se encontram nas maiores alturas dos Céus – aquelas que sentiram sua ausência e ansiavam por ele durante os anos em que ele viveu neste nosso mundo físico.

Lag Baomer, neste 5780, será comemorado a partir do anoitecer do dia 11 de maio, ou seja, terá início na próxima segunda-feira.

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