Centro Israelita | Parashat Behalotcha
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Parashat Behalotcha

Parashat Behalotcha

Sem dúvida alguma, vivemos tempos de obscuridade. Há duas semanas, testemunhamos o mal causado pela cegueira do ódio racial durante um show musical, para pré-adolescentes e adolescentes, da jovem Ariana Grande. Aquilo lastimou o coração de todos os que almejam a paz, ainda mais pelo fato de atingir quem tinha um longo futuro pela frente. Alguns dias se passaram, nos esquecemos que esta gente existia, voltamos à normalidade (uma espécie de telão que oculta o horror), festejamos Shavuot. E outra vez os malvados atacaram. Um carro atropelou civis inocentes, e logo os terroristas esfaquearam mais pessoas indefesas. A mesma garra fétida do mal apunhalando o coração dos que querem apenas trabalhar, estudar e viver em paz.

Novamente, a obscuridade do caos original (Tohu Vavohu) se fez presente. Nós, como judeus, entendemos perfeitamente o que se sente, já que diariamente somos atingidos pelos mesmos assassinos que atuaram em Londres, ou em Manchester. Juntos, sofremos, sejamos nós judeus, cristãos ou de outro credo. Em qualquer caso, até mesmo em Israel, os assassinos são os mesmos, e as vítimas, também. Mesmo que o caos queira se impor, sempre que nos unimos para combater o ódio com amor, a insensatez com argumentos, a injustiça com a lei e a loucura com a força, jamais aqueles que desejam o mal conseguem apagar a alegria de nossos dias.

Nesta semana, lemos uma parábola muito bonita a respeito da escuridão e da luz. Dentro do tabernáculo, devíamos ter uma Menorá. Devíamos construí-la e acendê-la. O interessante é que a palavra utilizada para descrever a ação de acender a Menorá é Behalotcha, que significa “elevar”. Ou seja, deveríamos elevar a luz da Menorá. Rashi explica que isto se deu pela chama do fogo que se eleva, e que a Menorá deveria ser acesa até que a chama se elevasse. Outros sábios dizem que, devido ao tamanho da Menorá, é possível que o Sacerdote tivesse que subir uma escada para “elevar-se” e conseguir acender as velas.

Todas as explicações são interessantes, mas isso nos quer dizer algo mais? Creio que podemos pensar o seguinte: talvez, acender a Menorá não tenha um fim em si mesmo. Talvez, ela devesse ser acesa para iluminar a escuridão do tabernáculo, para que sempre houvesse uma luz acesa em meio à escuridão. Dito de outra maneira, estava ali para que a Torá nunca fosse coberta completamente pela escuridão. Portanto, para que a sabedoria não seja sepultada por um manto obscuro do ódio radical, devemos nos esforçar para elevar a Menorá.

Todas as religiões, credos, países…todos devem se esforçar ainda mais para manter erguida a luz da Menorá. Cada povo, com sua a luz! Para alguns, a Bíblia; para outros, o Alcorão; e para nós, a Torá. Porém, todos têm o mesmo desafio: o de não permitir que a luz seja apagada.

Shabat Shalom
Rabino Marcos Perelmutter

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