Centro Israelita | Parashat Mishpatim
19187
post-template-default,single,single-post,postid-19187,single-format-standard,qode-quick-links-1.0,ajax_fade,page_not_loaded,,qode-theme-ver-11.0,qode-theme-bridge,wpb-js-composer js-comp-ver-5.1.1,vc_responsive

Parashat Mishpatim

Parashat Mishpatim

O valor da vida

A vida de um outro ser humano tem preço?

Diz nossa parashá:
21:23 Mas, se o infortúnio acontecer (da morte na mulher), você dará a vida pela vida.
21:24 olho por olho, (7) dente por dente, mão por mão, pé por pé.

Normalmente, a leitura convencional destas frases nos diz que a punição para uma transgressão deve ser a mesma ação brutal para compensar o sofrimento e os danos causados à vítima. De acordo com nossa tradição, desde o início essa leitura foi rejeitada para dar origem a uma outra nova maneira de interpretar conflitos legais. O Talmud, no tratado de Chaguigá 11, diz: “A vida pela vida: refere-se ao dinheiro”. O que significa que os parentes das vítimas devem ser compensados financeiramente. Então a vida tem um preço? A que se refere a Torá quando diz “olho por olho”?

O espírito de nossos sábios era sempre encontrar a resposta que eles consideravam mais próxima da palavra e vontade de Deus, portanto, nesse espírito, eles entenderam que responder a violência física com violência, tendo neste caso outros caminhos, não era a solução. Certamente eles se perguntaram: se uma família perde seu pai, que àquela significava perder o sustento financeiro, que diferença faria para a família matar o assassino? Não seria mais útil mantê-lo vivo?

A vida não tem preço. Não existe uma soma que seja igual ou aproximada, apenas medidas mitigadoras para ajudar as vítimas. Aparentemente, a Torá não nos falou sobre o preço da vida, mas sobre o respeito a ela.

Mas e a frase “vida pela vida”…onde fica? Eu acredito que uma das mensagens mais poderosas que se lê neste parashá está em profundo relacionamento com a compreensão de que todas as vidas são importantes. O assassinato é a expressão máxima da repressão da voz do outro. Está levando embora a possibilidade de responder e agir para quem pensa de maneira diferente do que eu. Bem, a Torá nos ordena: vida pela vida. Sua vida e a outra são iguais na minha frente. Como se Deus nos dissesse: o castigo para tirar a faculdade da vida do outro é que você também a perde, pois ambas as vidas são igualmente caras para mim. Portanto, quase que paradoxalmente, esse castigo nunca foi realizado.

Essas palavras que parecem celestiais são mais próximas do que pensamos e vivemos todos os dias. Hoje, atos criminosos fazem parte de nossa realidade e de muitas outras cidades importantes do mundo. Felizmente, o ser humano ainda tem a possibilidade de compreender o valor infinito que cada vida tem.

Shabat Shalom
Rabino Marcos Perelmutter

No Comments

Post A Comment